O Poeta e a Lua

Em meio a um cristal de ecos
O poeta vai pela rua
Seus olhos verdes de éter
Abrem cavernas na lua.
A lua Volta de flanco
Eriçada de luxúria
O poeta, aloucado e branco
Palpa as nádegas da lua.
Entre as esferas nitentes
Tremeluzem pêlos Fulvos
O poeta, de olhar dormente
Entreabre o pente da lua.
Em Frouxos de luz e água
Palpita a ferida crua
O poeta todo se lava
De palidez e doçura.
Ardente e desesperada
A lua vira em Decúbito
A vida lenta do espasmo
Aguça as pontas da lua.
O poeta afaga-lhe os braços
E o ventre que se menstrua
A lua se curva em arco
Vinicius de Moraes

"Outra vez vou te esquecer, pois nestas horas pega mal sofrer."

Cazuza (via canibais-de-nos-mesmos)

(Fonte: algo-dulce)